De Roma às florestas tropicais: o modelo da Iamazonia para proteger ecossistemas essenciais
No dia 22 de abril, quando se celebra o Dia Internacional da Terra e os 10 anos da encíclica Laudato Si’, a Iamazonia foi oficialmente lançada em um evento realizado no Ara Pacis, em Roma. A ocasião aconteceu um dia após o falecimento do Papa Francisco, em 21 de abril, e, em respeito ao momento, o encontro prestou homenagem ao legado da Laudato Si’, documento publicado em 2015 que convoca a humanidade a cuidar da “nossa casa comum” e defende o princípio da ecologia integral, conectando proteção ambiental e justiça social.
Foi nesse contexto que aconteceu a conferência “Iamazonia: Soluções Regenerativas Baseadas na Natureza para o Nosso Futuro Comum”, reunindo lideranças governamentais, pesquisadores, investidores e representantes da sociedade civil. Mediado pela jornalista Amy Kazmin, correspondente do Financial Times, o encontro contou com a participação de Kathleen Rogers, presidente do Earth Day, do professor Giovanni Tria, presidente do conselho da Iamazonia, e de Gaetano Buglisi, fundador e CEO da organização.
Em mensagem transmitida por vídeo, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, destacou a importância de projetos florestais de alta integridade, como o Projeto Mejuruá, para o avanço das metas climáticas globais, especialmente no contexto da próxima Conferência do Clima, que será realizada em Belém.
A Iamazonia atua por meio de parcerias de longo prazo para desenvolver projetos integrados, que unem conservação ambiental, desenvolvimento social e geração de renda sustentável. No centro dessa estratégia está o Projeto Mejuruá, primeira iniciativa emblemática da organização, implementada no Médio Juruá. Com uma área de aproximadamente 903 mil hectares, o projeto protege a floresta em pé e investe diretamente em melhorias para as comunidades locais, como acesso à água potável, energia renovável, conectividade à internet, educação e geração de renda, incluindo o fortalecimento da cadeia do açaí.
Os créditos de carbono exercem um papel complementar nesse modelo, contribuindo para a viabilidade financeira do projeto e permitindo que recursos retornem para prioridades definidas pelas próprias comunidades, sempre seguindo padrões rigorosos de governança e transparência.
O Governo do Estado do Amazonas é parceiro do Projeto Mejuruá, inclusive na implantação de uma unidade local da Escola da Floresta em Carauari. “Preservar a floresta tem um custo muito alto, e nem todos estão dispostos a pagar por isso. O Amazonas mantém 97% de sua cobertura florestal preservada. Isso não é apenas um dado ambiental, é um patrimônio da humanidade que exige responsabilidade, reconhecimento e apoio internacional”, disse Flávio Antony Filho, representante do chefe da Casa Civil, governador Wilson Lima.
O encontro também contou com contribuições do professor Alexander More, da Universidade de Harvard, que apresentou evidências sobre a relação entre clima, meio ambiente e saúde pública, e do professor Virgilio Viana, presidente da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), que falou sobre caminhos para ampliar iniciativas de conservação com impacto social.
Durante o evento, a Iamazonia assinou ainda uma Carta de Intenções com a Caritas Internationalis, com o objetivo de garantir que os projetos sejam guiados pelos princípios do desenvolvimento humano integral e da justiça ambiental.
Para a Iamazonia, o lançamento em Roma representa, ao mesmo tempo, um novo começo e uma homenagem. É o início de um esforço global para promover soluções regenerativas baseadas na natureza e, também, um momento de reverência ao espírito da Laudato Si’. O modelo adotado mostra como parcerias abertas, uso responsável do financiamento climático e padrões rigorosos podem gerar benefícios concretos para as famílias e para os ecossistemas, oferecendo um caminho que pode ser seguido com integridade por outras iniciativas ao redor do mundo.