Da floresta ao mercado: parceria fortalece a cadeia do açaí no Riozinho

O Projeto Mejuruá, desenvolvido pela Iamazonia e implementado localmente pela BR Arbo, firmou uma parceria com a Associação dos Moradores do Baixo Riozinho (ASMOBRI) para organizar e ampliar a produção sustentável de açaí na região do Riozinho, em Carauari (AM). O acordo autoriza os associados da ASMOBRI a realizar a coleta e o processamento de produtos florestais dentro da área da BR Arbo, além de estabelecer apoio técnico para que os produtores atendam às exigências sanitárias, ambientais e de mercado.

O objetivo é fortalecer a geração de renda das famílias por meio de atividades que mantêm a floresta em pé, mostrando que é possível conciliar conservação ambiental e desenvolvimento econômico local. A ASMOBRI é responsável pela coordenação das atividades no território, enquanto a BR Arbo oferece capacitações, suporte técnico e apoio na articulação com compradores. Essa atuação conjunta permite organizar a produção, garantir qualidade, reunir volumes maiores e acessar mercados estaduais, nacionais e até internacionais.

No início de 2024, o projeto também reforçou a presença da associação em Carauari, com a revitalização da sede da ASMOBRI e a modernização de uma unidade de processamento de açaí. As melhorias, entregues em fevereiro, contribuem para a organização do trabalho, o controle de qualidade e o fortalecimento da logística, beneficiando cerca de 70 famílias que vivem ao longo do Riozinho.

A parceria ganha ainda mais relevância diante do cenário recente da região. Em 2023, a única usina industrial que atendia os municípios de Carauari, Jutaí e Juruá encerrou suas atividades, deixando os produtores sem estrutura próxima para o beneficiamento do fruto. Com isso, muitos acabaram enfrentando perdas e dificuldades para comercializar sua produção. A iniciativa do Projeto Mejuruá ajuda a reconstruir essa cadeia produtiva localmente, gerando empregos, estabilizando a renda das famílias e reduzindo o desperdício.

Entre as prioridades estão a organização das safras, a melhoria do manejo pós-colheita e a adoção de práticas de precificação transparente. A coordenação local conta com o apoio do vice-presidente da ASMOBRI, Francisco “Tracoa” Viturino da Silva, que acompanha de perto as atividades no território.

Para Maurizio Rocchi, gerente-geral da BR Arbo, a proposta é clara: organizar a colheita, agregar qualidade e rastreabilidade ao produto e garantir que mais valor permaneça com as famílias do Riozinho. “Quando a floresta paga de forma justa, a conservação acontece naturalmente”, afirma.

Essa parceria reflete, na prática, o modelo de atuação da Iamazonia e do Projeto Mejuruá, baseado nas pessoas, na natureza e no trabalho conjunto com as comunidades. A iniciativa se soma a outros investimentos sociais já realizados na região, como acesso à água potável, energia renovável fora da rede convencional, conectividade à internet e regularização fundiária. Dessa forma, o projeto demonstra que o uso responsável dos recursos do financiamento climático pode gerar benefícios reais para as famílias e, ao mesmo tempo, garantir a proteção da floresta no longo prazo.

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